Trilha
Inca
Hoje
em dia não se pode mais fazer a Trilha Inca sem um guia certificado,
o que acho bom. Isso regulariza um pouco o turismo do local, dá
trabalho aos peruanos que estudaram para ser guia e evita que qualquer
turista fique sujando a trilha com lixo e comida.
Decidi
fazer a trilha com um grupo organizado por uma agência de Cusco
(ver serviços). No primeiro dia, foram me buscar no hotel já
quase às 7h da manhã. Depois de pegar todos os turistas,
paramos para buscar os carregadores, comida, ticket de trem, o que foi
bem enrolado. Mas, pelo que me contaram, todos os grupos são
assim. No caminho até o km 82, onde começaríamos
a caminhada, paramos para tomar café em Urubamba. Era a mesma
estrada do tour ao Vale Sagrado.
Chegamos
ao começo da trilha já ao meio dia. Havia um número
grande de grupos e mochileiros chegando ao mesmo tempo. Caminhamos uma
hora e meia até o local de almoço. O dia estava ensolarado
e, então, sentamos na grama pra comer. Todos gostaram do almoço,
ou estavam com muita fome. No geral, a alimentação oferecida
pelo tour foi boa: sempre uma sopa e prato principal, fruta pela manhã
e chá com pipoca antes do jantar. Depois caminhamos mais umas
3 horas até o acampamento. A caminhada foi leve, com algumas
pequenas subidas. Fizemos aproximadamente 14km, mas ninguém sabe
informar ao certo. O percurso total da Trilha Inca, começando
no km 82, é de uns 48km.
O
segundo dia foi o mais difícil. Foram umas 5 horas de caminhada
em subida e depois quase duas horas de descida íngreme, dando
um total de, talvez, 12km. Desta vez, caminhei bem lentamente, pois
na noite
anterior tinha tido muita dor de cabeça (acho que caminhei muito
rápido e o meu corpo não acostumou com a altitude). A
caminhada de subida foi bastante cansativa, parava-se várias
vezes para descansar.
Foi o dia de maior sociabilidade, pois todos param muito. Nas paradas,
conheci várias pessoas, principalmente brasileiros, que até
então não tinha encontrado na viagem. O final da cansativa
subida fica a 4200metros, no Wayllabamba, conhecido como passagem da
mulher morta. Como tudo por aqui, há várias teorias sobre
este nome: uns
dizem que foi encontrada uma mulher morta ali, outros porque
a montanha parece uma mulher. O nosso guia disse, brincando, que é
porque as mulheres chegam mortas ¨de cansadas¨ lá. Depois
do cansaço da subida, uma descida de 2 horas para chegar ao local
de almoço. Já era tarde e estava com fome. Depois de almoçar,
fizemos mais uma caminhada de uma hora até acampamento para dormir.
Acampamos perto de um ponto chamado Pacaymayo, numa altura de 3700m.
Desta vez não tive dor de cabeça, foi bom ter subido devagar.
O
terceiro dia foi o mais bonito. Primeiro paramos na passagem chamada
Rukuracay, depois seguimos ate as ruínas de Sayamarca, visitamos
o local e seguimos até o local de almoço, Phuyupatamarca.
O caminho ate lá tem uma descida e depois uma leve subida. O
lugar é tropical, passamos por uma floresta com clima agradável.
Almoçamos ao sol, conhecemos as ruínas e seguimos até
o acampamento. Essa parte é difícil para quem tem problema
de joelho, ou seja, pessoas como eu. O caminho é só descida,
na maioria das vezes como escadas, fui devagar...Depois de umas 6 horas
de caminhada, uns 16km, chegamos ao acampamento, que ficava ao redor
do hostal.
Pudemos
tomar banho, o que foi muito bom apesar da fila. Depois, tomamos o chá
da tarde e jantamos no restaurante do hostal. O local estava lotado.
Parecia uma festa.
No
quarto dia, acordamos às 4h para tomar café da manhã
às 4:30, pois o portão de entrada para Machu Pichu iria
abrir um pouco antes das 5h. Fiquei impressionada com a quantidade de
gente, era uma fila enorme de mochileiros com lanterna. Não se
podia ir mais rápido, todos caminhavam lentamente. Um grande
número de pessoas,uns dizem que
tinha mais de mil chegando pela trilha. Na noite anterior, todos os
grupos se encontraram, os de 2 dias e os de 4 dias, o que aumentou
bastante o número de pessoas na trilha. Depois de uma hora e
meia,
chegamos ao lugar no qual deveríamos ver o nascer do sol em Machu
Pichu, mas infelizmente o tempo estava nublado. Não pudemos ver
mais de 4 metros a nossa frente. Todos estávamos um pouco desiludidos,
caminhamos
4 dias para ver o nascer do sol que não aconteceu. Com esperanças,
sentamos e esperamos uma meia hora, o tempo não mudou nada, descemos
então até Machu Pichu. O tempo não mudou quase
nada durante a manhã. No começo da tarde, começou
a limpar um pouco o céu e pudemos ver todo o local. Sol, nem
pensar. Decidi dormir uma noite em Águas Calientes e voltar no
dia seguinte para conhecer melhor o lugar.
Veja
o Álbum de fotos da Trilha
Inca.